segunda-feira, 1 de julho de 2013

Menina!



Menina, que perigo! Ao julgar pelo teu olhar, está me julgando. Mas não te julgo, te olho de volta, e entro na menina dos teus olhos.

Vejo por entre tuas entranhas teus segredos, segredos que não chegam perto de tua boca, da tua boca só o veneno doce, o desejo, o apego... ai meu Deus! como os almejo. Vejo também teu coração pulsante, tua carne flamejante, posso até quase ler seus pensamentos, menina, que turbilhão tua mente. Que puros teus pensamentos, que triste teus pesares.

Vejo os quadros que pintou, as casas que construiu e a família que lá habitou, vejo os livros que te fizeram rir, os poemas que te fizeram chorar.Vejo o que te deixa encucada e o que te preocupa. Queria me achar em você, encontrar no meio de teus espaços um colchãozinho fulera, uma almofada rasgada. Um cafuné na barba.

Mas logo vi que no mundo científico de hoje, não podemos envolver o emocional. Então te vejo como arte, para me envolver por completo. Tu arde, menina.

Nem a mais bela pintura, nem o melhor poeta, quisá Machado, poderia descrever a tempestade de cores que são teus olhos menina.

Felipe Sanches Barbosa

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